Hoje, o melhor lugar para acompanhar novidades, divulgar o próprio trabalho e construir uma presença profissional é também um dos ambientes que mais pode fazer você se sentir estagnado, inferior ou atrasado. As redes sociais aproximam referências, tendências e oportunidades, mas também criam uma vitrine constante de comparação. E, quando a comparação passa a guiar a forma como você se enxerga, ela começa a afetar diretamente sua identidade.
Isso vale tanto para pessoas quanto para empresas. Muitas vezes, olhar para quem você considera uma referência pode ser inspirador. O problema começa quando essa admiração se transforma em cobrança, frustração e bloqueio. Em vez de ajudar você a evoluir, a comparação faz parecer que nada do que você faz é suficiente.
Quando a comparação bloqueia a sua evolução
Eu falo sobre isso por experiência própria. Hoje, sou muito satisfeito com o profissional que me tornei e com tudo o que entrego, mas, no começo, a comparação quase me fez desistir antes mesmo de começar de verdade.
Sou designer desde a adolescência, embora por muito tempo eu não me considerasse um. Eu criava por gostar de criar: capas alternativas para filmes, artes inspiradas em jogos que eu gostava e até edições relacionadas à Taylor Swift, de quem sou fã há mais de dez anos. A criatividade já estava ali, mas eu não mostrava meus trabalhos para ninguém.
O motivo era simples: eu via trabalhos de outras pessoas e pensava que jamais conseguiria chegar naquele nível. Essa vergonha me acompanhou até a faculdade. Cursei Publicidade e Propaganda e, quando entrei, tentei evitar ao máximo qualquer coisa relacionada a design. Queria experimentar outras funções do meio publicitário, acreditando que talvez fosse me encontrar em outra área.
Ao mesmo tempo, eu estagiava em comunicação e fazia praticamente tudo que envolvia marketing, dentro e fora da empresa. Um fato curioso é que eu não gostava de nenhuma arte que produzia ali. Hoje, olhando para trás, entendo que isso vinha da comparação. Eu não estava avaliando meu trabalho pelo que ele comunicava ou resolvia, mas pelo quanto ele se parecia (ou não) com o trabalho de outras pessoas.
Depois da faculdade, decidi sair do emprego. Foi durante a criação do meu TCC que uma percepção se acendeu: desde pequeno, eu sempre fui muito ligado a marcas. Admirava muitas delas, principalmente Apple e Coca-Cola, mas nunca tinha parado para entender que o que mais me conectava a essas marcas era o visual. Foi aí que finalmente criei coragem para assumir o caminho que fazia sentido para mim: tornar-me designer, especialmente focado em identidade visual.
O perigo de moldar seu trabalho pela visão dos outros
E é aqui que voltamos ao tema principal: o melhor lugar para divulgar seu trabalho também pode ser o lugar que mais alimenta a comparação. No meu caso, falando sobre design, era natural que Instagram e TikTok me mostrassem cada vez mais conteúdos sobre o assunto. Eu consumia esses conteúdos, via projetos incríveis, acompanhava profissionais consolidados e, sem perceber, começava a me medir por eles.
Esse foi um erro enorme. Ao tentar entender o que funcionava para outras pessoas, eu acabava me perdendo sobre o que queria criar, comunicar e mostrar sobre mim. Passei muito tempo tentando encontrar uma fórmula, quando, na verdade, o que eu precisava era entender melhor a minha própria essência.
Nem sempre o que funciona para um profissional vai funcionar para outro. E o pior: quando você tenta copiar uma trajetória, uma estética ou uma forma de se posicionar apenas porque aquilo deu certo para alguém, você corre o risco de perder a sua própria voz. Você deixa de pensar com a própria cabeça e começa a construir seu trabalho pela visão dos outros.
Em um mundo digital que vive de aparências, quem consegue se mostrar de forma real tende a se destacar. Não porque ignora referências, mas porque usa essas referências como inspiração, não como medida de valor pessoal.
Use referências, mas não abandone sua essência
Por isso, pare de divulgar seu trabalho apenas com base no que sua referência ou seu concorrente está fazendo. Observe, estude, aprenda, mas não permita que isso apague aquilo que torna você diferente.
No fim, o que vai atrair o público certo e fazer as pessoas se conectarem com você não é uma cópia perfeita do que já existe. É a sua forma de enxergar, criar, comunicar e se posicionar. É a sua essência.
Então, até quando você vai continuar se comparando com os outros?









