Sabemos que a inteligência artificial veio pra ficar. Isso já não é mais discussão. Mas também dá pra perceber uma coisa curiosa: ela envelhece rápido demais.

Toda ferramenta nova, quando chega na mão do consumidor, vira brinquedo novo. A pessoa usa, abusa, testa tudo, se diverte, mostra pra todo mundo. Só que depois de duas semanas já não é a mesma coisa. Você olha ao redor e todo mundo está usando o mesmo brinquedo. Aquilo que parecia novidade, em pouco tempo, começa a parecer datado.

A IA envelhece tão rápido que a gente já tem até uma frase pronta: “isso parece IA”. E, sinceramente, ninguém fala isso como elogio. O mais engraçado é que a coisa chegou num ponto em que as pessoas pedem pra própria IA gerar algo que não pareça IA. E é aí que mora o maior erro.

Toda vez que aparece uma ferramenta que facilita a criação de materiais, vem o mesmo discurso apocalíptico:

“A carreira de designer gráfico acabou.”

Foi assim quando o Canva chegou. Agora acontece de novo com a dominação da inteligência artificial. Parece que, toda vez que surge um botão novo, alguém conclui que acabou a profissão de quem sabe pensar visualmente.

Pois bem, vou te contar um segredo: o trabalho do designer não é só apertar botão. Percebeu que o Canva não matou a profissão? Então por que a IA faria isso?

A real é que muitos empreendedores que resolveram adotar IA só pra gastar menos estão começando a sentir na pele uma coisa que designers falam há anos: marca não é só peça bonita. Marca foi feita pra marcar alguém.

Vamos pensar juntos. Você entra no Instagram e busca uma loja. A rede te mostra uma lista de perfis, vários loguinhos pequenos, nomes parecidos, cores parecidas. Nesse primeiro contato, a única coisa que você consegue analisar de verdade é a aparência da empresa. Agora imagina que, de 50 resultados, 40 usam as mesmas cores, os mesmos conceitos, as mesmas fontes e a mesma estética genérica. Isso não te diferencia. Isso te coloca no bolo.

Agora, se você vende a mesma coisa que essas 50 lojas, mas aparece com um visual completamente diferente, coerente e memorável, a chance de alguém decidir acessar o seu perfil aumenta muito. Não porque ficou “bonitinho”, mas porque chamou atenção do jeito certo.

“Nossa, Guilherme, mas o que esse texto tem a ver com o título?”

Então, a resposta é simples: pra sua marca não ter cara de IA, o ideal é contratar um profissional de design.

E não, eu não estou tentando vender meu produto aqui. Estou falando a verdade.

Você acha que não tem designer que usa Canva? Ou que usa IA? Claro que usa. A diferença é que a ferramenta, na mão de quem tem repertório, vira apoio. Na mão de quem não entende o básico de construção visual, vira gambiarra com nome bonito.

Sua marca fica com cara de IA não porque a IA é necessariamente ruim. Ela fica com cara de IA porque falta direção. Falta repertório, falta referência, falta intenção. Aí o resultado vira um Frankenstein visual: um pedaço de cada lugar, tudo remendado, sem personalidade e sem estratégia.

A real é que o problema nunca foram as ferramentas. Eu, como designer, uso IA pra me ajudar em certas direções, pra explorar caminhos, pra acelerar partes do processo. Mas não trato isso como produto final. A diferença é que eu sei o que pedir, sei o que cortar, sei o que ajustar e sei quando aquilo não faz sentido pra uma marca.

Não adianta pagar ChatGPT Plus, ferramenta premium, banco de template ou qualquer outra solução milagrosa se você não souber usar. Sem critério, o resultado sempre vai cair no mesmo lugar: genérico.

Então, se você quer uma marca sem cara de IA, contrate um designer. Se você ainda acha que design é gasto, continue pagando ferramenta e ficando parecido com metade das empresas do mercado.

No fim, a escolha é sua: ser só mais um resultado parecido na busca ou construir uma marca que alguém realmente lembra.